Encontro-me só, em frente ao teclado, vagueio por pensamentos que me levam a perder a noção da realidade. Vejo as horas, fumo um cigarro, o vento que bate na janela traz consigo lamentos e memórias de um tempo que não é de um passado assim tão distante.
Agarro no cinzeiro e apago o cigarro, o fumo vem-me aos olhos e transporta-me em mais um milhar de sensações que não queria sentir, deixo-me levar por caminhos que já percorri e por outros novos para mim.
Tento entender razões e porquês, procuro palavras que me façam compreender, tento tirar as dúvidas de dentro de mim mas no fim está tudo igual. Nada muda, continuo sem perceber.
Fecho os olhos e percorro as ruas de Lisboa, ando descalço com o vento como companhia, vejo o mundo que gira na cidade, as pessoas que andam de um lado para o outro, com destino e sem rumo, sem darem valor ás coisas mais simples da vida. Serei eu o único ou estarei eu enganado?
Enquanto as ruas se vão tornando mais estreitas, mais escuras e húmidas como o anoitecer nas montanhas, eu ouço umas batidas que não são do meu coração, uma cadencia hipnótica que me leva até si, corpos esbeltos que se tocam e contorcem de prazer, ilusões e sonhos que se vendem mas nem sempre correspondem há realidade.
As luzes de várias cores e ritmos dispersos, as vozes e risos, os olhares que se trocam, os amores que se esquecem, assim como eu fui esquecido. A noite apesar de ser dos amantes também é de almas que choram e sofrem por algo que já foi seu.
Com as mãos na cabeça, grito no vazio que é a minha vida, berro o mais alto que ninguém pode ouvir, pego em todas as minhas forças e saio dali, escrevo com raiva, sem calma, viajo para longe, para onde não te possa sentir, muda a hora mas não mudam os sentimentos, perco hábitos que não queria perder, encontro o nada que me fala de ti, que andas na noite, com novas esperanças e novos amores, planos dos quais já não faço parte.
E a angustia que me consome, que não me deixa ser livre para amar outra vez, a verdade que me destrói e que mutila as minhas emoções, diz-me que o tempo é como o vento, que leva e trás, que fere e cura, que chora e que ri e que toca cá dentro de mim sem me deixar acreditar num melhor amanhã.
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