terça-feira, 30 de novembro de 2010



Por vezes vejo-me dentro de situações que não sei avaliar. Detesto quando isso acontece!!!
Deixo-me envolver, sentir, gostar e talvez não seja a minha melhor opção em ser assim.
No meu intimo eu anseio pelo amor, por encontrar a paz que tanto procuro, em encontrar aquela alma gémea, a outra metade da laranja, da maça, a outra metade de mim. Talvez seja uma procura impossível, sei o que sou e sei que sou diferente.

Há dois anos que não me entregava a alguém, há bem mais que não sei o que é amar sem restrições, uma forma de estar que em mim se perdeu no tempo. Sei que neste tempo que passou foi-me muito difícil dar qualquer coisa de mim a alguém. Tem sido difícil mostrar parte de mim.
Não sei se é medo, se desaprendi se perdi a esperança que algo de bom me aconteça.

Ás vezes perco-me e é difícil encontrar-me.

Hoje penso que posso ter encontrado uma janela, um novo olhar. Dou por mim a gostar outra vez, a acreditar no dia seguinte, a voltar a sonhar um pouco. Sinto-me a mudar, de novo consigo sorrir.

Pergunto-me se não estou a criar falsas ilusões em mim mesmo. Se o que sinto pode não ser correspondido. Se me vou magoar e sofrer... Sei que também tudo isso é irrelevante quando toca ao amor. Se gostas não há volta a dar.

Tenho em mim um lado selvagem, irrequieto, quer mais, dar mais, correr e abraçar, sem amarras sem correntes. Um lado que me empurra para onde pensa ser feliz.
Quero muito seguir esse instinto. Espero estar certo...

Vou ficar por aqui agora, cansado e com dor de cabeça.

sábado, 13 de novembro de 2010




Pega-me tu no colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Lembro-me...




Lembro-me de ir no comboio e pensar para mim o que estava a fazer, qual seria a paragem onde iria sair. Dei por mim hipnotizado pela paisagem que passava por mim a um ritmo constante. Divagava por entre indefinições e apreensões mas também numa secreta esperança de estar a fazer o certo.
Soube que sim no momento que te vi, perdi a duvida e o receio que estava dentro de mim, passou de um medo do desconhecido para a expectativa do que poderia vir depois.

Lembro-me de ir no carro e de olhar para ti e ver algo que já não via há muito tempo (perguntei a mim mesmo se seria eu que estava a querer ver demais), ao sentir a tua beleza por momentos que me perdi, deixei a terra e fui ate ao espaço dos meus sonhos, percorri todas as constelações e perguntei a todas as estrelas se eu estaria a sonhar, se seria realidade estar ali contigo, naquele lugar, naquele momento em que éramos nós dois.

Lembro-me de acordar e não te ver no quarto, pensar que já podias ter ido embora por qualquer razão que fosse, podia ser mais um daqueles casos de um arrependimento repentino, mas vi que não, que estavas por perto, vi-te como um raio de sol, cheia de luz como se naquele dia tivesse voltado o verão no seu mais esplendoroso dia.
Rendi-me a ti, ao teu bom dia, ao teu sabor.

Lembro-me de olhar para o longe e apontar o dedo para o horizonte, contar historias passadas de uma juventude rebelde, de vermos o rio a desaguar no mar e as rochas que se deformaram com o tempo mas que continuam imponentes e firmes na sua missão de guardar as entradas daquela praia. De não deixar que a vida se apague naquele canto que é tão meu.

Lembro-me de entrar e de sair de mil e um pensamentos, de saltar entre momentos que sonhava viver contigo, de me questionar o que estaria a acontecer para de um instante para o outro estar a sentir-me assim, diferente, mais solto, alegre. Uma alegria que já não conhecia em mim e que por isso a estranhava.

Lembro-me de irmos para o quarto depois de jantar, de nos deitarmos na cama e sem dar-mos por isso tudo se uniu, senti o teu toque em mim, as caricias que trocámos e os beijos que entregá-mos um ao outro. Um instante de magia onde o tempo certamente que passou mais devagar, para mim naquela altura os segundos eram minutos e os minutos eram horas e assim senti-me perto do tempo infinito.

Lembro-me de passear pela margem do rio, de ver cores em peixes, em estranhas pinturas que no seu conjunto mostravam uma harmonia invulgar, de nos sentar-mos num banco e de te ter nos meus braços, de poder olhar para a outra margem e ver os barcos a passar. De voltarmos a índia e por lá ficar mais um pouco.

Lembro-me de não conseguir falar, de querer dizer que devias ficar, de não perceber o que vinha de ti, lembro-me de olhar para ti e pensar que não mais te iria ver. Custou-me sentir-te assim a ir embora e naquela altura não tive capacidade para fazer o que devia. Não fui capaz de te agarrar e dizer que eras minha, em vez disso aceitei o teu pedido como se fosse a minha única alternativa.

Lembro-me de ir para casa e me sentir vazio, de entrar no meu quarto e me sentir perdido, de me deitar e não conseguir dormir. Lembro-me dos dias a seguir em que nada me corria bem e a vontade para fazer qualquer coisa era pouca.

Lembro-me de estar sempre a pensar em ti...

Lembro-me de te ver e de falar contigo, poder dizer o porque de ter agido de tal forma, de me explicares o que sentias e de nos percebermos aos dois. De te dizer que gosto de ti e de ouvir o mesmo de ti. De te poder ouvir a rir outra vez, a tua forma de falar e o brilho que vem de ti.

Guardo essas lembranças dentro de mim como um tesouro que quero preservar, venha o futuro reservar qualquer tipo de final. Vou sempre encontrar nestas memorias um pouco da forma em que me tornas feliz, contente por te saber por perto mesmo estando tão longe, forte por o meu coração bater outra vez mais rápido e cheio de vontade de viver.

Gosto de ti...